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MINI CURRÍCULO
Margareth Bianchini
Professora, PhD - Doutora em Administração pela Florida Christian University - EUA (2009). Mestre em Ciências da Comunicação - USP (2001) formada em Marketing pela Universidade Paulista (1997).
Diretora da
MBianchini Consulting
- Desenvolvimento do Capital Humano empresa de consultoria empresarial que atua na área de treinamentos e desenvolvimento humano.
Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e professora convidada nos cursos de pós-graduação da USP, Franklin Covey e Instituto Chiavenato.
Palestrante e co-autora dos livros:
Liderança uma questão de competência
, Prefaciado pelo nosso Ex-Presidente Dr. Fernando Henrique Cardoso e
Liderança e Criatividade em Negócios
, Prefaciado pelo Ex Presidente da Embraer Dr. Ozires Silva e
Administração de Organizações Complexas
. Atuo em grandes empresas como Editora Abril, Record News no Programa Goulart de Andrade.
Artigo:
Quando é Hora de Partir
Autor:
Prof. Dr. João Pinheiro de Barros Neto
É muito difícil saber a hora certa de parar. O momento certo de o líder passar o bastão para outro, principalmente se você realmente gosta do que faz. Ninguém inicia uma jornada de liderança pensando na aposentadoria ou prevendo um período curto. Ainda assim, qualquer um que assume uma posição de liderança e pensa que ficará nela para o resto da vida é no mínimo um tolo, não deveria estar onde está.
A vida é feita de transição e, como líder, você deve estar sempre preparado para mudar de situação e, em último caso, para parar mesmo. Quem não sabe quem é o Pelé? Por que todos o conhecem e lembram dele de forma positiva? Porque ele soube mudar e parar na hora certa, justamente quando ninguém achava que era o momento certo, pois ele estava no auge. Líderes precisam de sabedoria para perceberem o timing da mudança.
Mudar o rumo nunca é uma decisão fácil, mas precisa ser tomada de vez em quando na vida de todo e qualquer líder. E é melhor que você tome essa decisão, ao invés de deixar que outros a tomem, simplesmente deixando-o de lado.
Tenho um amigo justamente nesta situação. Josué é Gerente Sênior de vendas uma grande empresa multinacional há cinco anos. Em seus dois primeiros anos, as vendas da empresa cresceram a taxas muito maiores que as das empresas do mesmo ramo do mercado. Ele foi muito festejado pelos resultados que obteve. Agora as vendas estacionaram, embora a economia continue aquecida. Ele me perguntou: devo dar tudo de mim para tentar reverter a situação ou será que já dei o que tinha que dar? Devo esperar até as vendas começarem a cair? Será que o próximo Gerente será melhor que eu?
Já uma outra colega comentou comigo que está muito difícil continuar a ministrar aulas na faculdade em que ela é professora. Lá, segundo ela, a coordenação do curso não apóia os professores e não zela pela qualidade do curso. Ela acha que o coordenador está sendo pressionado para focar a rentabilidade do curso em detrimentos dos fatores ligados à qualidade. Há seis anos, ele era o primeiro em comprometimento com o alto nível do ensino, mas agora, nem fala com o seu time de docentes. Duas outras faculdades já a convidaram para dar aulas. Ela deve abandonar seus alunos, colegas e o ambiente com o qual se acostumou, ou deve continuar tentando fazer o bom trabalho que sempre a caracterizou?
Como bom consultor, disse-lhes que eu não tinha a resposta, só ele e ela poderiam responder, cada um a si próprios, mas que eu poderia ajudá-los fazendo as perguntas certas para eles.
Evidentemente você mesmo leitor já deve estar pensando que se trata de um estudo de caso e, como qualquer estudo de caso, faltam informações. Sim, mas o que importa aqui é que tomar uma decisão de partir nunca é fácil. A grande ironia do líder que não sabe quando sair, é que se ele ou ela ficam demais, simplesmente são ?convidados? a saírem. O nosso comprometimento com as coisas que fazemos simplesmente tornam a decisão ainda mais difícil. Provavelmente as perguntas que fiz aos meus dois colegas também o ajudarão a decidir quando é hora de ir ou de ficar.
Por que ir? Não é tão simples responder quanto parece, pois estou me referindo às razões mais profundas, ou seja, não aquelas que estão em sua cabeça (sim essas são importantes também), mas às do coração. Como você realmente está se sentido em relação à sua visão e missão de liderança? É questão simplesmente de oportunidade? De competência? Frustração ou insegurança? Saber realmente porque você quer ir embora lhe dará confiança para tomar a decisão certa.
Você analisou a situação fria e objetivamente? Entendeu corretamente as circunstâncias? É muito comum ao procurar oportunidades, deixarmos de enxergar as coisas boas que estão ao nosso alcance. É como diz o ditado, a grama do vizinho é sempre mais verde. Às vezes estamos insatisfeitos sem saber exatamente por que e, pior, pode não haver motivo real para a insatisfação.
Qual o impacto da mudança para você? Pode ser que mudar de emprego por uns 30% a mais de salário implique em 50% a mais de despesas com transporte e educação, por exemplo. Tenho um aluno que mudou de emprego, passou a trabalhar um quilômetro a mais longe de casa e gasta 45 minutos a mais de tempo de percurso por causa do trânsito (quem mora em São Paulo entende o que quero dizer). O que ele perdeu em qualidade de vida não compensou as outras vantagens que obteve.
Suas competências já lhe permitem um salto mais alto? Na festa de aposentadoria de um companheiro de trabalho, descobrimos que ele tocava piano. Imediatamente nós dissemos que já havíamos descoberto que ele faria agora que estava aposentado, tocar piano. A sábia resposta dele: de fato, eu toco piano muito bem, para vocês que não entendem nada de piano, mas eu sei o quanto toco mal, não será por aí, tem outras coisas que sei fazer melhor para aproveitar minha aposentadoria. Ao contrário deste sábio colega, muitos líderes superestimam suas capacidades, habilidades e aceitam desafios simplesmente impossíveis para eles naquele momento. Vocês certamente conhecem alguém que era ótimo vendedor, por exemplo, e tornou-se péssimo gerente de vendas.
Você já ouviu as pessoas que realmente o conhecem e gostam de você? Geralmente são pessoas de sua família ou amigos queridos. Ouça o que têm a dizer, esteja preparado para ouvir um discurso desmotivador, caso não esteja realmente preparado ou não seja o momento certo.
Você já ouviu você mesmo? Tire um tempo para ouvir-se. Faça um passeio ou uma caminhada sozinho, só você e sua consciência. Geralmente estamos tão ocupados que não ouvimos nossa voz interior. Para nos ouvir, precisamos de um pouco de paz.
Seu nível de interesse pelo que faz é alto? Às vezes você já se demitiu antes de ser demitido! Ou você já está longe e pensa que ainda está no mesmo lugar. Há situações em que mudamos interiormente tão devagar que não percebemos que mudamos e que nossos interesses já são outros. Se este é o caso, não há dúvida, é hora de partir para outra, pois o seu sendo de "pertencimento" já era.
O timing está correto? Você é capaz de trocar o certo pelo incerto? Você prefere um pássaro na mão que dois voando? Você só troca de emprego quando tem outro garantido? Você tem alguma reserva financeira para amortecer alguma queda temporária na renda? Você é empreendedor ou mais acomodado? Você se incomoda de deixar um trabalho pela metade? Estas são também perguntas muito importantes que devem ser respondidas.
Você preparou o seu sucessor? É bem possível que seja indiscutivelmente o momento da mudança, a hora de parar, que isto esteja totalmente claro para você, mas por falta de alguém que continue o seu trabalho você não possa tomar a decisão que queria. Entenda que desenvolver líderes é a tarefa primordial de todo líder, por várias razões, esta é apenas uma delas.
Por fim, lembre-se que por mais acertada que seja sua decisão, isto não significará que sua vida será fácil daí por diante, que não haverá mais problemas e dificuldades, muito pelo contrário, cada mudança implica novos desafios, mas não fique triste, poder escolher a hora de mudar ou parar, já é um grande privilégio.
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